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O Grito: Uma Década de Som Autoral no Rio de Janeiro

  • Foto do escritor: O Grito
    O Grito
  • 3 de set. de 2025
  • 7 min de leitura

Atualizado: 3 de out. de 2025

O Rio de Janeiro sempre foi um terreno fértil para novas linguagens musicais. Nesse ambiente intenso, o trio O Grito vem, desde 2015, traçando uma rota autoral firme e independente dentro da cena brasileira de rock e MPB, unindo técnica, identidade e presença constante em palcos e telas. Formado por Pedro Canuto, Edu Raddi e Be Queiroz, o grupo completa 10 anos de estrada com mais de 50 músicas lançadas em EPs, singles e dois álbuns de estúdio: Telas Vivas (2020) e ALGOR1TM1C0 (2024).

Ao vivo, a banda acumulou experiências marcantes que ajudaram a moldar sua trajetória. Em 2017, participou do MECA, no Morro da Urca, dividindo palco com os canadenses Homeshake e os norte-americanos Washed Out. No ano seguinte, foi uma das atrações do tradicional Aldeia Rock Festival, no interior do estado, reforçando sua presença em circuitos independentes e festivais de médio porte. Em 2023, venceu o Fampop, onde abriu shows para Paula Fernandes e RPM, consolidando seu espaço em eventos de grande público. Participou ainda do musical Across the Universe, produzido pela UNIRIO, mostrando versatilidade e domínio técnico.

No audiovisual, sua presença também se expandiu. O clipe de “Aura” entrou na programação do Canal Bis, enquanto “O Poder do Amor” venceu o prêmio de Melhor Clipe Independente no Music Box. Músicas da banda também fazem parte da trilha de um dos filmes vencedores do Festival do Rio 2024, ampliando o alcance de sua estética híbrida e contemporânea.

Neste post, revisitamos a formação, influências e obras que ajudaram a definir a identidade única do O Grito — um trio que construiu espaço próprio na cena, sem atalhos e com conquistas que falam por si.

A Formação da Banda

O Grito nasceu em 2015, da amizade e afinidade musical entre Pedro Canuto, Edu Raddi e Be Queiroz, no Rio de Janeiro. Unidos por referências diversas e pelo desejo de construir um repertório autoral consistente, os três começaram a desenvolver um som que transitava entre o rock alternativo, a MPB e influências experimentais. A química criativa foi imediata: em poucos meses já estavam compondo, gravando e se apresentando em pequenos espaços da cidade.

Cada integrante trouxe para o trio uma bagagem distinta, o que moldou a identidade sonora desde o início:

  • Pedro Canuto (voz e guitarra) conduz o eixo melódico e lírico, unindo densidade poética e senso melódico forte.

  • Edu Raddi (baixo e backing vocal) sustenta a base rítmica com linhas versáteis e criativas.

  • Be Queiroz (bateria e backing vocal) amarra tudo com precisão e dinâmica, trazendo energia crua e variações que fogem do óbvio.

Essa combinação resultou em um som direto, bem construído e com personalidade própria. Desde os primeiros ensaios, a proposta era clara: criar uma linguagem musical sólida, que valorizasse a composição e a execução ao vivo com igual intensidade.

As Influências Musicais

A sonoridade do O Grito nasce do encontro entre referências brasileiras e internacionais que moldaram gerações. A banda tem como principais influências The Beatles, Tom Jobim, Clube da Esquina, Secos & Molhados, The Clash e Jimi Hendrix. Essa mistura reflete a busca por um som que seja ao mesmo tempo melódico, inventivo e visceral.

Dos Beatles, vem o cuidado com a composição, os arranjos vocais e a estrutura das canções. De Tom Jobim e do Clube da Esquina, a sofisticação harmônica e a profundidade poética que caracterizam a música brasileira. Já Secos & Molhados inspira pela ousadia estética e teatralidade, enquanto The Clash traz a energia crua e a postura contestadora. Jimi Hendrix completa o conjunto com sua abordagem inovadora de guitarra e liberdade criativa.

Essas influências se manifestam de maneiras distintas ao longo da discografia. Em Telas Vivas (2020), aparecem em arranjos orgânicos e letras existenciais, explorando lirismo e texturas clássicas. Já em ALGOR1TM1C0 (2024), a banda amplia a paleta sonora, fundindo guitarras psicodélicas, ritmos brasileiros e colagens urbanas em uma proposta mais experimental e crítica. O resultado é uma estética híbrida, com forte identidade autoral e raízes bem definidas.

O Processo Criativo

As composições do O Grito nascem de forma orgânica, quase sempre conduzidas por Pedro Canuto, principal compositor da banda. As ideias surgem naturalmente, inspiradas pelas experiências do trio e pelo que estão ouvindo juntos em determinados períodos. Muitas vezes, essas fases criativas acontecem durante viagens, quando aproveitam o tempo livre para testar novos arranjos e explorar caminhos musicais sem pressa.

O desenvolvimento das músicas é sempre coletivo. A banda parte de um embrião — seja uma letra, um riff ou uma estrutura harmônica inicial — e constrói a canção em conjunto, ajustando dinâmicas, experimentando timbres e refinando os detalhes nos ensaios. Essa troca constante entre os três é o que dá unidade e identidade ao som.

As letras ocupam um papel central no trabalho da banda, que tem como objetivo principal transmitir uma mensagem. Os temas costumam refletir percepções sobre o cotidiano, questões existenciais e recortes culturais. Canções como “Choque Neon” e “Yasmin” exemplificam bem essa versatilidade lírica, alternando entre abordagens poéticas, diretas e críticas, sempre mantendo coerência estética e intensidade emocional.

Mais do que seguir um método rígido, o trio valoriza a fluidez do processo. A composição e os arranjos evoluem de maneira espontânea, equilibrando precisão técnica com liberdade criativa. Essa abordagem permite que cada música carregue a essência do grupo, mantendo coerência sonora e espaço para descoberta.

O Impacto da Banda na Cena Musical

Ao longo de uma década de trajetória, o O Grito consolidou sua presença na cena musical do Rio de Janeiro e vem ampliando seu alcance para outros públicos no Brasil. A banda construiu esse espaço sem atalhos: lançando um catálogo autoral consistente, se apresentando em festivais relevantes e mantendo uma postura independente diante do mercado.

Eventos como o MECA 2017, no Morro da Urca, e o Aldeia Rock Festival 2018 foram marcos importantes, apresentando o trio a novos públicos e reforçando sua força de palco. Em 2023, a vitória no Fampop — que incluiu apresentações de abertura para Paula Fernandes e RPM — consolidou esse crescimento, aproximando a banda de circuitos maiores sem perder sua identidade.

A presença na mídia também tem sido relevante. O clipe de “Aura” entrou na programação do Canal Bis, e “O Poder do Amor” foi premiado como Melhor Clipe Independente pelo Music Box. Além disso, músicas da banda integraram a trilha sonora de um dos filmes vencedores do Festival do Rio 2024, ampliando sua circulação em outros campos da cultura.

Nas redes e plataformas digitais, o trio mantém uma relação direta com o público, compartilhando processos criativos, bastidores e lançamentos de forma orgânica. Essa proximidade fortalece o vínculo com os fãs e ajuda a expandir sua base de ouvintes dentro e fora da cena independente.

O Álbum de Estreia

Lançado em 2020, Telas Vivas marcou um ponto de virada na trajetória do O Grito. Gravado no lendário estúdio Toca do Bandido (RJ), o álbum reúne 10 faixas autorais e consolida a identidade musical do trio, unindo lirismo, energia crua e referências brasileiras em uma sonoridade única.

O disco apresenta um equilíbrio entre arranjos orgânicos e profundidade lírica, explorando temas existenciais, urbanos e afetivos com maturidade artística. As composições revelam a versatilidade da banda ao transitar entre diferentes atmosferas sem perder coerência estética. O resultado é um trabalho consistente, que posicionou o grupo de forma mais clara no cenário nacional.

Telas Vivas também ganhou destaque fora do circuito tradicional. Seus videoclipes foram exibidos em canais de televisão como o Canal Bis e premiados pelo Music Box, além de integrarem trilhas de produções do cinema nacional contemporâneo. A boa recepção abriu novas portas para a banda e fortaleceu seu nome na cena independente.

Em 2025, o álbum ganhará uma edição especial de 5 anos, com lançamento físico e digital. A nova versão trará cinco faixas bônus inéditas, celebrando essa primeira fase da banda e reafirmando a importância do disco em sua trajetória.

O Futuro da Banda

Com uma trajetória sólida construída ao longo de dez anos, o O Grito vive um momento de transição criativa importante. O trio está totalmente focado na composição e gravação de seu próximo álbum de estúdio, previsto para lançamento no fim de 2026.

Esse novo trabalho busca aprofundar a identidade sonora da banda, explorando novas texturas e abordagens sem perder o elo com as raízes que marcaram seus discos anteriores. O objetivo é dar um passo adiante, mantendo a liberdade criativa como princípio central.

Além do novo álbum, a banda planeja intensificar sua presença em estúdio e nos palcos, expandindo o público de forma orgânica e consistente. A ideia é seguir construindo trajetória com base em conteúdo autoral relevante, gravações de alta qualidade e apresentações que mantenham a força que caracteriza o trio desde o início.

A Conexão com os Fãs

A relação do O Grito com o público é construída no palco. Em cada show, seja para 5 ou 50 mil pessoas, a banda entrega o que tem de mais verdadeiro: coração e intensidade. Essa entrega é parte essencial da identidade do trio.

Além dos festivais e eventos, o grupo faz questão de tocar em contextos sociais, como na greve dos funcionários da UERJ e em escolas públicas do Rio de Janeiro, levando sua música a espaços onde o acesso à arte nem sempre é garantido. Essa presença reforça o compromisso da banda com o público em todas as suas formas.

O Legado do Grito

O O Grito representa uma geração que escolheu trilhar seu próprio caminho na música, unindo raízes brasileiras e atitude rock com autenticidade. Ao longo de dez anos, construiu uma obra sólida, levou suas canções a diferentes públicos e marcou presença em palcos, telas e espaços sociais sem abrir mão da independência criativa.

Mais do que buscar tendências, a banda consolidou uma linguagem própria — feita de composição forte, entrega ao vivo e coerência artística. Seu legado está em constante construção, faixa a faixa, show a show.

 
 
 

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